Bill: Quando saimos do palco e sabendo que algo correu mal, ficamos em silêncio. Ninguém fala.
Já tiveram discussões em que todo o drama que fizeram não valeram a pena? Por exemplo, se a companhia discográfica colocou a cor errada na capa do single ou algo do género?
Tom: *respira fundo* Isso seria uma catastrofe. Eu explodiria.
Bill: Se alguma coisa dessas acontecesse, eu não dormiria como deve ser durante um ano... Mas eu lembro-me de uma coisa: Algumas das nossas músicas do Humanoid já estavam ilegalmente online, três meses antes do álbum ser lançado. Mal podia acreditar que alguém nos tinha roubado a arta na qual gastámos tanto tempo e energia.
É um problema normal nos dias de hoje. Como é que reagiram?
Bill: Não vamos mostrar nunca mais nenhuma música às companhias discográficas antes do tempo, nunca mais. Às vezes chega às maos erradas. Fomos cuidadosos, mas agora já aprendemos.
Tom: Tudo precisa de ficar no mínimo de pessoas possivel. A nivel de negócios, há tanta gente envolvida com os Tokio Hotel: a companhia discográfica alemã, a francesa, a Interscope nos Estados Unidos, e por aí fora. Há inúmeras pessoas envolvidas, as quais não conseguimos controlar.
Se a música é um tópico tão emocional, será que o projecto da banda não põe em perigo o amor entre irmãos?
Tom: Pode-se dizer isso. Teoricamente. Ambos temos o problema de nos concentrarmos nos aspectos negativos das coisas. Se há uma má mensagem, esquecemo-nos completamente das 20 boas que temos. Más notícias fazem-nos melhorar a situação. Podemo-nos guiar pelas coisas boas.
Bill: Isso é coisa típica de gémeo. Quando estamos contentes, o Tom tem 10000 coisas pela sua cabeça. Depois sentamo-nos no sofá, relaxamos, o que acontece uma vez por ano.
Tom: Na realidade, acho que isso não aconteceu nos últimos cinco anos.
Quase que conseguimos ouvir isso nas vossas músicas. As bandas adolescentes soam sempre melodiosas, menos obscuras e vendem - as músicas dos Tokio Hotel foram sempre obscuras, sérias e relembram a ingenuidade da infância. Como é que vocês dois, tão diferentes, conseguiram concordar apenas num estilo musical?
Bill: Boa perginta. Em privado, apenas discutimos por causa de música. Ele apenas ouve música Hip-Hop e eu oiço todo o tipo de coisas. Não nos conseguimos entender quanto a isso.
Tom: Quando começámos, foi fácil. Não tínhamos escolha! Nunca nos sentámos e dissemos: Vamos soar como esta ou aquela banda. Estavamos limitados. Apenas faziamos aquilo de que éramos capazes. Há um tópico que percorre todos os nossos trabalhos, uma linha contínua.
Quando alguém vos vê hoje - o glamoroso e parecido a um alien, Bill, e o rapaz com um Streetstyle, Tom, ninguém pensaria que vocês são gémeos. Quando é que começaram a ir por caminhos diferentes?
Bill: Isso é díficil de explicar. Chegou a uma altura em que apenas queríamos sair da sombra um do outro. Estar longe daquela imagem aborrecida de gémeo. Imaginem. Numa escola é sempre: "Os gémeos isto, os gémeos aquilo". Mas por outro lado é natural que tenhamos desenvolvido personalidades diferentes uma vez que fazemos as coiaas juntos. Ou talvez não.
Tom: Eu poderia por as coisas desta forma: Tudo o que um ser humano completo pode ser, nós repartimos por dois. Cada um de nós escolheu a sua área e aperfeiçoou as suas capacidades. O Bill é o mais criativo dos dois, eu estou mais do lado dos negócios. Se juntarmos tudo isso, somos uma pessoa só, apenas um único ser humano. Mas um muito versátil.
Isso significa que nunca foram rivais em todos os anos que passaram?
Bill: Nunca pensámos em qual de nós seria o filho favorito e quem é a ovelha negra. Fomos sempre uma equipa. Como eu disse, mudámos com 15 anos, ganhámos o nosso dinheiro. Não tínhamos tempo para infantilidades - aconteceu tudo muito cedo. Às vezes sinto que eu e o Tom mudámos muito rápido, porque ensinámos um ao outro o que aprendemos. Gémeos idênticos crescem rápido porque partilham tudo. Incluindo experiência.
Como um ser humano com quatro ouvidos.
Tom&Bill: Exactamente!
Tom: Um filho único vive tudo só uma vez, tem apenas um ponto de vista. Nós sempre partilhámos tudo. Olhámos de todas as perspectivas.
Bill: A nossa mãe sempre nos disse que uma vez nos desligou as luzes do quarto à noite e que ficavamos acordados pelo menos mais uma hora para falarmos tudo e discutirmos tudo. Desde aí, é sempre assim.
Vocês disseram à vossa mãe: Quando crescermos, vamos comprar-te um Cadillac!
Bill: Não, mas sempre quisemos ser independentes e com dinheiro nas nossas carteitas. Sempre quisemos ter as nossas roupas, telemóveis e essas coisas. Ter responsabilidades nunca foi algo que nos assustou. Eu senti-me bem aos 15 anos sabendo que já podia pagar a renda e encher o frigorífico.
Alguma vez quiseram ter outro irmão ou irmã?
Bill: Não.
Tom: Seria muito complicado para o novo bebé. Sempre tivemos ligações fortes - As pessoas de fora nunca entram a 100%. Nem mesmo os irmãos imaginários.
Bill: Talvez isso tivesse resultado meio ano depois, mas não era biologicamente possivel. *risos*
O que aconteceria se apenas um de vocês se tornásse famoso? Continuariam irmãos gémeos e amigos inseparáveis?
Tom: Acho que sim! Talvez tivessemos seguido coisas diferentes. Um poderia tornar-se músico e o outro poderia ir para a Universidade. Mas uma vez que um de nós se tornasse famoso, o outro também se iria tornar de certeza. O Bill ter-me-ia feito o seu manager. Ou se eu tivesse estudado design industrial, talvez o contractasse.
Bill: Por favor, não façam rumores sobre isto. O que eu vou dizer é apenas um jogo de pensamentos. Mas eu não cantaria em lado nenhum sem ser nos Tokio Hotel. Não o conseguiria fazer sem o Tom. E mesmo que eu estivesse sozinho, precisaria dele para me apoiar, dar-me palavras de força. Não trabalhamos muito bem separados.
Traduzido por: Aniinhas- THF Portugal
Postado por: Vany
Publicado por: TokioHotel Portugal
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